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Foguete da Artemis II foi lançado com “aborto de emergência”; entenda

 

Em caso de falha grave nos primeiros minutos após a decolagem — período considerado o mais crítico — o sistema pode ser acionado para impulsionar rapidamente a cápsula para longe do foguete




O foguete SLS (Space Launch System), que levou a missão Artemis II ao espaço, conta com um sistema de segurança projetado para situações críticas durante o lançamento. Trata-se do Sistema de Aborto de Lançamento (LAS, na sigla em inglês), instalado no topo da cápsula Orion, responsável por abrigar os quatro astronautas durante a viagem de cerca de 10 dias ao redor da Lua.

Com cerca de 13,4 metros de altura, o mecanismo funciona como uma espécie de torre de escape. Em caso de falha grave nos primeiros minutos após a decolagem — período considerado o mais crítico — o sistema pode ser acionado para impulsionar rapidamente a cápsula para longe do foguete, garantindo a segurança da tripulação.







A tecnologia não é inédita. Sistemas semelhantes já foram utilizados nos programas Mercury e Apollo, durante as primeiras missões espaciais tripuladas dos Estados Unidos. No caso da Artemis II, o LAS foi projetado para atuar principalmente em baixas altitudes, quando a cápsula ainda precisa vencer a gravidade da Terra para se afastar com segurança.

Em setembro de 2025, as equipes de Sistemas Terrestres de Exploração da NASA realizaram os ajustes finais no sistema de aborto de lançamento da espaçonave Orion no Centro Espacial Kennedy • Frank Michaux/NASA

Durante o lançamento, também existe um “corredor de aborto” previamente definido sobre o Oceano Atlântico, que se estende até a costa da África. Caso o sistema seja acionado, equipes de resgate ficam de prontidão para recuperar a cápsula Orion e os astronautas.

Embora seja um recurso de segurança essencial, o sistema raramente é utilizado. Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2018, quando astronautas foram forçados a acionar o mecanismo durante o lançamento de uma nave Soyuz, após uma falha no foguete. A cápsula foi separada com sucesso e a tripulação retornou em segurança à Terra.

Na missão Artemis II, o sistema integra o conjunto de tecnologias testadas pela Nasa para futuras viagens mais longas, incluindo missões com destino à superfície lunar e, no futuro, a Marte.


Artemis 2: Cápsula Orion implanta painéis solares no espaço





A cápsula Orion da missão Artemis 2 está a todo vapor. Pouco após entrar em órbita depois do histórico lançamento, a espaçonave desdobrou com sucesso seus quatro painéis solares, que agora fornecem energia para o restante da jornada de 10 dias ao redor da Lua.

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“Nós vemos quatro SAWs implantados e travados”, comunicou o comandante Reid Wiseman ao controle da missão no momento em que os painéis se abriram. O termo “SAW” refere-se aos arranjos de asa solar, os painéis que se estendem a partir do Módulo de Serviço Europeu, fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA). Em configuração semelhante a uma asa em X, os quatro painéis geram mais de 11 quilowatts de energia — o suficiente para abastecer duas residências médias.

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Lançamento da missão Artemis 2, em 1º de abril de 2026 – NASA

Manobra orbital

Em seguida, a Orion realizou uma manobra de elevação do perigeu, ajustando sua órbita para uma trajetória que agora oscila entre 185 quilômetros no ponto mais próximo da Terra e 2.222 quilômetros no ponto mais distante. A queima, executada com precisão, é uma das várias manobras programadas para os próximos dias, à medida que a espaçonave se prepara para a viagem rumo à Lua.

Lançamento histórico

Na noite desta quinta-feira (1), a NASA lançou com sucesso o superfoguete Space Launch System (SLS), levando a cápsula Orion com quatro astronautas rumo à órbita da Lua. Com duração prevista de 10 dias, a missão Artemis 2 deve proporcionar visões inéditas durante a volta completa ao redor do satélite natural da Terra.

Com transmissão ao vivo do youtube, o imponente foguete de 98 metros de altura decolou da plataforma LC-39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 19h35 (horário de Brasília), marcando o início do tão esperado primeiro voo tripulado do novo programa da NASA voltado à exploração lunar e ao espaço profundo.

Impulsionado por um par de propulsores laterais de cinco segmentos e quatro motores RS-25 de combustível líquido, o foguete passou pela pressão dinâmica máxima – o ponto de maior esforço sobre sua estrutura – cerca de 70 segundos após a decolagem, enquanto completava a curva de trajetória rumo ao espaço.]

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Astronautas da missão Artemis 2 dentro da cápsula Orion – NASA

Cerca de sete minutos após deixar a Terra, o estágio central do foguete completou sua queima de combustível e se separou do estágio superior, o Estágio de Propulsão Criogênico Intermediário (ICPS). Imediatamente, a cápsula Orion abriu seus painéis solares, garantindo energia para a viagem de ida à Lua.

Mais ou menos um minuto após a queda do propulsor sólido, o sistema de aborto da Orion se desprendeu, revelando a espaçonave ao vácuo do espaço pela primeira vez. Logo em seguida, o estágio principal do SLS se destacou, e o Estágio de Propulsão Criogênica Interina assumiu, conduzindo a Artemis 2 rumo à órbita.

A espaçonave entrou em órbita terrestre baixa por volta de 20 minutos depois da decolagem e deve completar duas voltas ao redor da Terra. Durante essa fase, a tripulação realiza todas as checagens de sistemas da nave, confirmando que motores, comunicação e equipamentos de suporte à vida estão funcionando perfeitamente. Engenheiros e controladores de missão acompanham cada passo para manter a trajetória exata e garantir total segurança.

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Com todos os sistemas estáveis, a queima de Injeção Translunar (TLI) deve ser realizada, colocando a Orion na rota rumo à Lua. Agora, a cápsula segue milhares de quilômetros além da órbita terrestre, estabelecendo um novo recorde de distância percorrida por humanos. Mesmo sem pousar na Lua, a Artemis 2 deve entrar para a história, abrindo caminho para futuras missões e preparando o retorno da humanidade à superfície lunar.


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